Como a superfície do poço oculta e
revela algo a ser descoberto em seu interior, assim cada encontro com uma de
minhas peças pode precipitar o olhar através de inúmeras situações aventuras em
que apossar-se de si mesmo ou recolher fragmentos desta viagem e
cravá-los/gravá-los/grafá-los, passa a ser apenas uma das possibilidades.
Desde o início de 2005 venho investigando
os planos, série de trabalhos no verso de embalagens de drogas que eu
e minha família consumíamos e que depois foi se ampliando em outros
universos que amigos e conhecidos passaram a me fornecer, que
são como corpos abertos. Peles de bicho secando ao sol.
Coisas fora de mim. A partir de uma
série que chamei de corpos celestes, corpos circulares grafitados, densos como esculturas em sua
menor espessura, multiplicam-se também e são agora, campos saturados
de uma informação similar que se propaga em seus semelhantes.
Juntam-se agora em superfícies maiores
como
Desenho que queria ser
pintura.
O diálogo que se estabelece entre
campos, faz-me pensar num atributo dos campos relacionais da física quântica,
onde a proximidade entre dois ou mais campos, causa a migração de informação
entre eles, o que só amplia suas possibilidades.
Carlos asp
Reflexões sobre o fazer desenho.
em porto alegre, abril de 2006